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jornalista assassinado

A morte do jornalista Evany José Metzker, de 67 anos, pode estar ligada a uma investigação que ele fazia sobre a prostituição de adolescentes no Vale do Jequitinhonha.
Pelo menos é no que acredita a professora Ilma Chaves Silva, de 51 anos, que vinha aconselhando o marido sobre os riscos que corria. Políticos corruptos da região também estavam na mira do jornalista. “Mas era destemido, corajoso. Deve ter colocado o dedo na ferida de alguém”, diz.
Segundo a professora que vivia com o jornalista em Medina há 11 anos, ele estava em Padre Paraíso há pouco mais de dois meses. Além da cidade, concentrava suas apurações em Caraí, Novo Cruzeiro e Catuji. Nos finais de semana voltava para casa.
Os dois conversavam várias vezes por dia, e o marido não comentou sobre supostas ameças ou inimigos declarados. “Não gostava de me contar detalhes para não me preocupar, mas sei que a sua morte está ligada ao trabalho”.
O último contato foi feito por whatsApp na quarta-feira (13) da semana passada, por volta das 19 horas. O marido já estava na pousada. “Conversávamos quando ele avisou que um repórter da cidade que sempre o visitava havia chegado à pousada e que depois retomaríamos a conversa.
Mas logo depois avisou que os dois estavam saindo para jantar e não voltou mais. Liguei diversas vezes até que acharam o corpo, segunda-feira (18). Devem ter armado uma tocaia para ele”.

Metzker era dono do Jornal Atuação que passou a ser digital com o nome Coruja do Vale. Nele publicava assuntos diversos, mas segundo a mulher dele, a sua preferência era por jornalismo investigativo. “Os amigos cansavam de avisá-lo sobre os riscos, que essa região era muito perigosa, mas não se importava. Por isso não acredito em outras motivações para o crime, principalmente a passional”, enfatiza.
O corpo foi encontrado na zona rural de Padre Paraíso em decomposição e sepultado em Medina à meia noite do mesmo dia.

De acordo com informações do Instituto Médico Legal (IML) de Teófilo Otoni, a data provável da morte é mesmo 14 de maio e por causa do adiantado estado de putrefação não foi possível apurar a causa, como também não foi possível apurar se o jornalista foi decapitado vivo. Uma pesquisa suplementar (reação vital) será feita pelo laboratório da PC em Belo Horizonte. A previsão é que o resultado saia em 45 dias.

Sindicato

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, pediu hoje à Secretaria de Estado de Defesa Social que o crime seja investigado por uma força-tarefa formada por policiais da capital, ou de outras regiões.
O objetivo é garantir  neutralidade. Ele lembra que os assassinatos do jornalista Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Carvalho, ocorridos em 2013 em Ipatinga, no Vale do Aço, só apresentaram resultados depois que essa providência foi tomada. Ao final, descobriram o envolvimento de um policial civil nos crimes.
“Exigimos uma apuração rigorosa para verificar se a morte de Evany José Metzker está mesmo ligada ao exercício da profissão de jornalista e a punição dos culpados”, diz Lopes, lembrando que é frequente as ameaças de morte sofridas pelos profissionais que atuam em Minas Gerais, como também em todo o país. No ano passado três jornalistas morreram em razão da atividade e esse ano duas mortes estão sendo investigadas.
Lopes está em Ipatinga acompanhando a gravação de um documentário sobre os assassinatos dos jornalistas em 2013. “O sindicato espera que esse não seja mais um caso de violência contra os profissionais do jornalismo, que vem crescendo em todo o Brasil. Crimes dessa natureza são um atentado contra a liberdade de expressão e o direito à informação”