Governo Federal decreta situação de emergência pela seca em Bocaiuva

Foto tirada do Rio do Onça há 10 dias (Foto: Saae/Arquivo Pessoal)
Bocaiuva, no Norte de Minas Gerais, foi um dos municípios que teve a situação de emergência decretada pelo Governo Federal. Após a medida, é possível pedir apoio em ações de socorro, assistência e o restabelecimento de serviços essenciais. Além de ter acesso a outros benefícios, como renegociação de dívidas e compra de cestas básicas. Claro dos Poções e Lassance também foram incluídos no decreto publicado no Diário Oficial nesta segunda-feira (19).
Na zona urbana, 12 mil domicílios de Bocaiuva são abastecidos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). A Água vem de uma barragem construída há cerca de 40 anos. Segundo o Saae, pela primeira vez na história, o Rio do Onça, que leva água até a represa secou. As últimas chuvas significativas na região foram em março.
“A água que está na barragem é suficiente para os próximos 15 dias no máximo. Nunca o município passou por uma situação tão crítica”, fala Juscelino Oliveira, diretor geral do Saae.
Por causa do nível da represa do Rio do Onça, um sistema de captação do volume morto será instalado na tarde desta segunda. “Contratamos 10 caminhões-pipa, que trabalham 24 horas por dia. Temos uma escala de revezamento para abastecer os domicílios, quando a água não chega até esses locais, mandamos os caminhões até os que têm prioridade, como escolas por exemplo”, explica Juscelino Oliveira.

O abastecimento da zona urbana conta ainda com 25 poços artesianos, mas com a demanda, a vazão deles reduziu pela metade, por isso está sendo necessário buscar água em poços particulares.
“O decreto é a ferramenta institucional para facilitar ações de municípios no enfrentamento da crise, principalmente questões relacionadas às compras, equipamentos e contratos. Estamos vivendo um período de exceção e que exige decisões rápidas, afinal estamos lidando com o abastecimento de água destinado à população. A Administração tem a possibilidade de agir mais rapidamente, já que o processo normal é demorado”, finaliza Juscelino Oliveira.

Já na zona rural, cerca de 30 comunidades rurais estão sendo abastecidas pela Prefeitura. “Estamos com dois caminhões-pipa trabalhando todos os dias com a exceção do domingo, é uma demanda que só cresce, porque muitos córregos secaram e os poços estão com a vazão bastante reduzida. Além disso, abastecemos também parte das 700 famílias de um assentamento em Engenheiro Dolabela”, diz José Nedir Pereiria, secretário de Desenvolvimento Rural.
Em relação aos córregos, Pereira diz que 20 deles que nunca haviam ficado sem água estão completamente secos. Com a estiagem, que segundo o secretário já dura cinco anos, muitos produtores perderam toda a lavoura e tiveram que vender os animais. “Vemos filhos que deixam a roça para buscarem emprego na cidade, porque acreditam que não têm mais como viver no campo”, destaca.
Com informação do g1 grande minas

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