Após redução salarial, vereador de Francisco Sá diz não poderá mais doar feiras

                       FRANCISCO SÁ
Um vereador da cidade de Francisco Sá, no Norte de Minas, se mostrou indignado com a redução salarial aprovado pela Câmara Municipal. A reunião extraordinária que aprovou a redução foi no dia 25 de setembro. O salário que era de R$ 6.891 foi reduzido para R$ 2.200, um corte de 68%.
Nesta semana, o vereador João Pinto Neto (Solidariedade) afirmou que com o novo valor não terá condições para o continuar os trabalhos. “Sou acostumado a progredir e não regredir. Não adianta você querer tirar o salário de vereador. Em cidade pequena, vereador é aquele que dá feira, dá carona, dá horas de trator, dá tudo. É assim que funciona em nossa cidade, que não tem emprego, não tem nada”, explica.
Ele disse também que concorda em fazer este tipo de doações, desde que o salário tenha sido adquirido honestamente. Ainda de acordo com o vereador, a redução salarial pode influenciar na qualidade dos próximos representantes do legislativo. “A partir da hora que você tem um salário pequeno, a qualidade do representante também é pequena”, diz.
Ao todo, seis vereadores votaram a favor da redução salarial; nenhum foi reeleito. Três dos que votaram contra vão exercer um novo mandato.
Para a vereadora Elmara Soares Souza (PT do B), a redução deveria atingir outras esferas do município. “Minha indignação é essa; por que a redução somente dos vereadores? Quando queremos a economia, temos que fazer a economia no geral. Tem que fazer a economia de todo o município, tanto no legislativo quanto no executivo”, diz.
Apesar de ter sido contra a redução, a vereadora diz que não vai mudar a forma de atuar na vereança. “Isso não muda nada, pois exerço o cargo porque gosto. Gosto de representar meu município. Representar nosso município e ainda receber R$ 2.200 é uma boa quantia sim”, afirma.O projeto que motivou a redução dos salários dos vereadores partiu de um movimento popular da cidade. A ideia foi muito bem recebida por outros movimentos do país.
"Nós temos Campo Verde (MG), que inclusive compartilha nossas fotos de movimento. Eles estão se espelhando em nosso movimento pra fazer também a redução salarial lá. Tem também Várzea da Palma (MG), que entrou em contato com a gente pedindo mais informações de como eles devem proceder para conseguir fazer a redução salarial", disse Ana Luiza, que é membro do Movimento Popular de Francisco Sá.(FONTE G1 GRANDE MINAS)